O baseline GEO é o retrato de como a empresa aparece hoje, tirado antes de qualquer alteração. Ele é o único item do projeto que não pode ser criado depois: passada a primeira mudança, o estado anterior desaparece para sempre. Custa poucas horas e decide se, daqui a três meses, haverá conversa sobre resultado ou discussão de opinião.
- Coleta de respostas: vinte perguntas fixas, três repetições, em pelo menos duas plataformas, com data e sessão limpa.
- Quem foi citado no seu lugar: a coluna mais reveladora da planilha, e a que ninguém preenche.
- Exportação do Search Console: lista de consultas com impressão, não só o total. O número de consultas distintas é a linha de base.
- Estado técnico: quantas páginas indexadas, quais respondem erro, quais dependem de JavaScript para mostrar texto.
- Precisão factual: quantas menções à empresa trazem informação correta.
- Volatilidade: a diferença entre duas coletas no mesmo dia, que define quanta variação é ruído normal.
Por que o baseline GEO não pode ser feito depois?
Porque o estado anterior não é recuperável. Diferente de um relatório de tráfego, que fica guardado no histórico da ferramenta, a resposta que uma IA daria sobre a empresa em uma data passada não existe em lugar nenhum. Ninguém consegue consultar o que o ChatGPT respondia há seis meses.
Essa é a diferença que faz o baseline GEO ser o primeiro item da auditoria GEO, e não uma etapa que pode ser adiada para quando houver tempo.
O que entra na coleta inicial?
A coleta inicial registra pergunta exata, plataforma, data, resposta e fontes citadas. Cada execução vira uma linha, não cada pergunta: vinte perguntas com três repetições em duas plataformas produzem 120 linhas. Esse volume parece grande e leva menos de um dia de trabalho.
O método completo de coleta, com os campos e o denominador, está em como medir menções e citações em IA. O baseline GEO é a primeira aplicação dele.
O Search Console entra no baseline?
Entra, e a exportação mais importante não é a de cliques. É a lista completa de consultas com impressão, porque o número de consultas distintas costuma se mover antes da posição média. Guardar essa lista agora permite comparar cobertura daqui a sessenta dias, e não apenas volume.
Vale exportar também a lista de páginas indexadas. Projeto que mexe em estrutura sem saber quantas páginas estavam no índice antes fica sem referência para avaliar o efeito da mudança.
O que registrar em cada frente
A tabela reúne as quatro frentes do baseline GEO, o que guardar em cada uma e o que aquela informação permite responder no fim do ciclo. Nenhuma delas exige ferramenta paga.
| Frente | O que guardar | Pergunta que isso responde depois |
|---|---|---|
| Respostas de IA | Planilha com pergunta, plataforma, data, resposta e fontes citadas. | A empresa passou a aparecer mais, e em que tipo de pergunta? |
| Busca orgânica | Exportação de consultas com impressão e de páginas indexadas. | O site passou a aparecer para mais perguntas diferentes? |
| Estado técnico | Relação de páginas com erro, bloqueio ou dependência de JavaScript. | As correções aplicadas resolveram o que travava? |
| Precisão factual | Quantas menções traziam informação correta sobre a empresa. | A informação errada parou de circular? |
Quanto tempo leva para montar?
O baseline GEO de uma empresa pequena leva de um a dois dias de trabalho. A coleta de respostas ocupa a maior parte, porque é manual. A exportação do Search Console leva minutos, e o levantamento técnico depende do tamanho do site.
Em site grande, com centenas de páginas herdadas, o levantamento técnico é o que estica o prazo. Ainda assim, o registro da situação inicial continua cabendo dentro da primeira semana do projeto.
Já comecei sem baseline. E agora?
Monte o baseline GEO agora, marcando com clareza que ele é um retrato intermediário e não o ponto zero. O registro feito hoje continua servindo para comparar as próximas rodadas, mesmo sem permitir avaliar o que já foi executado. O prejuízo é parcial, e piora a cada semana de adiamento.
Vale também recuperar o que ainda existe: exportações antigas do Search Console, capturas guardadas e relatórios anteriores do fornecedor. Não substituem a coleta de respostas, mas reconstroem parte do quadro, como mostra o que um relatório precisa trazer.
Vai começar um projeto de GEO?
Comece pelo registro do estado atual. Eu monto a coleta inicial e entrego a planilha, mesmo que você conduza o resto internamente.

Perguntas frequentes
Quantas perguntas preciso na coleta inicial?
Vinte perguntas fixas costumam dar uma leitura razoável para empresa de porte pequeno ou médio, divididas entre comerciais, regionais, educativas e de marca. Menos que isso deixa a amostra frágil demais para distinguir movimento de ruído. Mais que isso aumenta o custo sem melhorar muito a decisão.
Posso usar ferramenta automática para o baseline?
Pode, e economiza tempo quando a amostra é grande. A desvantagem é ver apenas o indicador resumido, sem a resposta inteira, e a resposta inteira é onde aparecem o concorrente citado no seu lugar e o erro sobre a sua empresa. No começo, a coleta manual ensina mais.
Preciso repetir o baseline a cada ciclo?
O baseline é feito uma vez. O que se repete são as rodadas de medição, que usam a mesma amostra e o mesmo método para permitir comparação. Trocar as perguntas entre rodadas quebra a comparabilidade e devolve a sensação de estar medindo sem conseguir concluir nada.
E se a empresa não aparecer em nenhuma resposta?
Esse também é um baseline válido, e um dos mais úteis que existem. Ausência total registrada com data e método vira o ponto de partida mais claro possível. O que não serve é presumir a ausência sem medir, porque isso impede demonstrar qualquer avanço depois.
Quem deve guardar a planilha?
A empresa, sempre, e não o fornecedor. Junto com ela, a propriedade do Search Console e do analytics precisa estar no nome da empresa. Isso evita a perda do histórico em uma eventual troca de prestador, que é quando o baseline costuma desaparecer.
Vale medir os concorrentes no baseline?
Vale registrar quem aparece no lugar da sua empresa em cada resposta, e isso já é uma leitura de concorrência feita de dentro da sua própria amostra. Tentar reconstruir o indicador do concorrente não funciona, porque você não tem acesso ao denominador dele.
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Por Adriano Habermann, consultor de GEO com atendimento em todo o Brasil. Publicado em 11/09/2026